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A reabilitação vestibular como forma de tratamento das perturbações de equilíbrio, e em particular da vertigem, começou a ser proposta nos anos 40 com os trabalhos de Cooksey e Cawthorne. Estes autores desenvolveram uma série de exercícios aplicáveis a todos os doentes que padeciam de instabilidade ou desequilíbrio. Estes exercícios tinham como objectivo promover a recuperação do equilíbrio pelo treino de algumas actividades específicas, nomeadamente a estabilização do olhar – olhar fixamente para um objecto enquanto roda a cabeça – e o controle postural – andar em frente enquanto move a cabeça para os lados, ou manter-se de pé, olhos fechados, em cima de uma almofada grossa.

O desenvolvimento de novas técnicas de avaliação funcional do equilíbrio nas suas várias vertentes – vestibular e postural – permitiu o conhecimento mais preciso do tipo de lesão, sua localização, causa e défice funcional que condiciona bem assim como o estabelecimento de um diagnóstico. Para isto é necessária a execução de alguns exames específicos designadamente a vídeo/electronistagmografia e a posturografia computorizada. Esta avaliação clínica inicial é fundamental para a estruturação do tratamento a efectuar.

Ao mesmo tempo, os avanços no conhecimento e a compreensão dos processos envolvidos na recuperação funcional das lesões vestibulares – a chamada compensação central – permitiu a adopção de novas estratégias de tratamento individualizadas, para caso específico. Desenvolveram-se assim programas de Reabilitação Vestibular especialmente adaptados a cada situação clínica.
Para a implementação de um programa de reabilitação vestibular dispomos basicamente de três técnicas base:

  1. Rotação em cadeira com ou sem fixação visual
  2. Estimulação optocinética
  3. Treino de controle postural em plataforma de posturografia
posturografia computorizada
Fig. 1 – Posturografia Computorizada
estimulador optocinetico
Fig. 2 – Estimulador Optocinético

 

Estimulação optocinética

A estimulação optocinética é um tipo de tratamento muito utilizado e que consiste em colocar o doente numa sala escura, sem quaisquer referências visuais, onde se projectam uma série de pontos luminosos que se deslocam em determinada direcção a uma velocidade predefinida.

Estes pontos luminosos são projectados nas paredes, tecto e soalho da sala – que assim funcionam como ecrã – por um aparelho tipo “planetarium” montado num sistema rotatório de três eixos de forma a projectar diversos padrões de estimulação, o estimulador optocinético (fig. 3).

O doente fica de pé a uma distância de 2 metros da parede mais próxima e o estimulador optocinético é colocado ao lado do doente e ao nível da sua cabeça (fig. 4).

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Fig. 3
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Fig. 4


O doente é instruído para olhar para os pontos luminosos que passam na parede em frente, deixando os olhos mover livremente sem mover a cabeça e tentando manter o equilíbrio.

O movimento de pontos luminosos assim produzido induz uma oscilação corporal na direcção do estímulo. De início, a direcção e velocidade de estimulação são escolhidos de acordo com o movimento mais desestabilizante.

O estímulo é mantido até que o doente comece a oscilar.

Nessa altura inverte-se o sentido do movimento do estímulo por uns segundos para depois o voltar a colocar no mesmo sentido até o doente ficar novamente desequilibrado.

Este ciclo repete-se durante toda a sessão. As sessões duram 10 a 15 minutos.

O tratamento completo consiste habitualmente em 6 sessões com uma periodicidade de duas sessões por semana.

Este tratamento é extremamente eficaz em muitas situações, nomeadamente nos défices vestibulares unilaterais, presbiacusia, intolerância ao movimento e na maioria das hiporreflexias vestibulares.

 

Treino de controle postural em plataforma de posturografia

Realizam-se alguns exercícios na plataforma de posturografia que visam essencialmente treinar a utilização das estratégias posturais utilizadas para a manutenção do equilíbrio. Estas estratégias foram definidas por Lew Nashner como estratégia de tornozelo (fig. 5), estratégia de anca (fig. 6) e passo em frente (fig. 7).

Treina-se também a capacidade do doente para manter a estabilidade postural em situações perto dos seus próprios limites de estabilidade.

Isto permite melhorar a capacidade do doente para regressar a uma posição de estabilidade após desestabilização externa.

A escolha dos exercícios a executar, tempo e frequência, depende de vários factores, sendo individualizada para cada caso. No entanto, e por regra, fazem-se 10 sessões com uma duração de 20 minutos cada e uma periodicidade de duas por semana.

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Fig. 5 – Estratégia de tornozelo
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Fig. 6 – Estratégia de anca
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Fig. 7 – Passo em frente

 

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